Marcos Hirata

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Caminhada no Lago Igapó emagrece? O que a volta completa faz

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Nutrição clínica · Metabolismo · Performance

Resposta rápida: caminhar no Lago Igapó gasta energia de verdade, mas caminhada sozinha, sem mexer no que se come, costuma produzir perda de peso pequena. Uma hora de caminhada em ritmo firme fica, para a maioria dos adultos, em algo entre 250 e 450 calorias, dependendo do peso corporal e da velocidade. O valor do Igapó não está em uma metragem mágica do percurso, e sim em ser um lugar plano, iluminado, seguro e a poucos minutos de boa parte da cidade, o que torna a repetição possível. E repetição é o que muda a conta no fim do mês.

Caminhar no Igapó emagrece de verdade?

Caminhada aumenta o gasto energético e, mantido tudo o mais igual, contribui para o balanço energético negativo. O problema é que “tudo o mais” quase nunca fica igual. As revisões de exercício isolado para perda de peso encontram resultados médios modestos, na faixa de poucos quilos ao longo de meses, e o posicionamento do American College of Sports Medicine é bem direto ao dizer que volumes de atividade acima de 150 minutos semanais produzem perda de peso apenas modesta, com resultados maiores aparecendo em volumes bem mais altos.

Isso não é argumento contra caminhar. É argumento contra esperar da caminhada o que ela não entrega sozinha. O que a literatura mostra de forma bem mais consistente é o papel do exercício na manutenção do peso perdido, na saúde cardiovascular e na mortalidade por todas as causas. Em outras palavras: a alimentação costuma decidir o quanto se perde, e o movimento pesa muito no quanto se segura depois.

No consultório, o Igapó aparece como uma vantagem logística de Londrina. Terreno plano, calçada contínua, gente circulando, estacionamento e proximidade de vários bairros. Quem consegue chegar em dez minutos vai três vezes por semana. Quem depende de deslocamento longo vai duas vezes no primeiro mês e nenhuma no segundo.

Quanto eu gasto em uma volta no lago?

O gasto depende de três coisas: quanto você pesa, a que velocidade anda e por quanto tempo. Os valores abaixo usam os equivalentes metabólicos do Compêndio de Atividades Físicas, a mesma referência que aplicativos e esteiras utilizam por trás. São estimativas de gasto bruto, ou seja, incluem o que o corpo gastaria em repouso no mesmo período, e variam de pessoa para pessoa.

RitmoComo se sente30 min, pessoa de 70 kg30 min, pessoa de 90 kg
Passeio, cerca de 4,5 km/hconversa tranquila, sem esforçocerca de 130 kcalcerca de 165 kcal
Firme, cerca de 5,5 km/hrespiração mais forte, ainda dá para falarcerca de 160 kcalcerca de 205 kcal
Rápido, cerca de 6,5 km/hfrases curtas, sem conseguir cantarcerca de 185 kcalcerca de 235 kcal

Duas leituras práticas dessa tabela. A primeira: o peso corporal muda o gasto mais do que a maioria das pessoas imagina, e quem pesa mais gasta mais para percorrer a mesma distância. A segunda: uma volta de meia hora não compensa um jantar mal planejado. Comparar o número da tabela com o de um lanche qualquer resolve a discussão sem drama.

Qual é a distância da volta completa?

O Lago Igapó não é um circuito único. Ele é formado por trechos represados sucessivos ao longo do Ribeirão Cambé, conhecidos localmente como Igapó I, II, III e IV, com calçadas e passeios que se conectam de formas diferentes conforme o trecho e as obras em andamento. Por isso não existe uma “volta oficial” com metragem única, e qualquer número solto que você encontrar por aí provavelmente se refere a um trecho específico.

A saída é medir a sua volta, não procurar a volta de outra pessoa. Qualquer aplicativo de GPS de celular, ou um relógio com GPS, registra o percurso exato que você fez. Faça isso uma vez e você passa a ter o seu próprio número de referência, que é o único que serve para acompanhar progresso. Distância percorrida é o dado que mais importa para o gasto total, e tempo é o dado que mais importa para a adesão.

Se você prefere um alvo simples, use tempo em vez de metragem: quarenta minutos de caminhada firme resolvem o objetivo do dia, independentemente de qual trecho do lago você pegou.

O número que mais engana

Relógio, esteira e aplicativo mostram o gasto estimado com margem de erro considerável, sobretudo em quem tem composição corporal fora da média usada nas fórmulas. Use o número como tendência, não como saldo bancário. Descontar o valor mostrado no relógio do que você vai comer à noite é a forma mais rápida de anular o esforço da caminhada.

Andar rápido muda muita coisa ou tanto faz?

Muda duas coisas diferentes. Para gasto energético total, o que mais importa é a distância percorrida e o tempo em movimento; andar mais rápido faz você cobrir mais distância no mesmo tempo, e por isso o gasto sobe. Para saúde cardiovascular, a intensidade tem valor próprio: análises de coortes com monitoramento objetivo de passos mostram associação favorável tanto com o total diário de passos quanto com a intensidade em que eles são dados.

Um jeito prático de calibrar sem equipamento é o teste da fala. Se você consegue conversar com frases inteiras mas não consegue cantar, está em intensidade moderada, que é a faixa recomendada pelas diretrizes da Organização Mundial da Saúde para os 150 a 300 minutos semanais. Se você consegue cantar, acelere. Se não consegue completar uma frase, reduza.

Quantas vezes por semana e por quanto tempo?

A meta de saúde pública é de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada, o que se traduz em cinco caminhadas de trinta a quarenta minutos, ou três de cinquenta. Para composição corporal e manutenção de peso, os volumes estudados no posicionamento do ACSM são mais altos, na faixa de 200 a 300 minutos por semana.

Prefiro conversar em número de dias do que em minutos totais, porque é o que se agenda. Comece pelo número de dias que você tem certeza de conseguir cumprir, mesmo em semana ruim, e mantenha esse piso por três semanas antes de aumentar. Três caminhadas por semana repetidas por seis meses valem mais do que sete na primeira semana e zero na terceira.

Por que a balança não desce mesmo eu caminhando todo dia?

Existem três explicações comuns, e todas estão descritas na literatura de balanço energético. A primeira é a compensação alimentar: aumenta o apetite, aumenta a porção, entra um lanche extra “porque eu treinei”. A segunda é a compensação de movimento: a pessoa caminha de manhã e passa o resto do dia mais parada do que antes, sentando mais e andando menos fora do exercício. A terceira é a superestimação do gasto, tanto pelo aparelho quanto pela cabeça.

Some a isso a variação normal de água corporal, que faz o peso oscilar um a dois quilos em poucos dias sem nenhuma relação com gordura. Pesagem em dias diferentes, em horários diferentes, gera conclusões erradas. Se você vai acompanhar peso, faça sempre no mesmo dia da semana, em jejum, depois de urinar, e olhe a média do mês em vez do número do dia.

Quando a caminhada está mantida e o peso não muda por semanas, o problema quase sempre está na alimentação, não no exercício. É nesse ponto que ajustar estrutura de refeições e porções faz diferença, e é o que trato na página de emagrecimento saudável.

O que comer antes e depois da caminhada?

Para caminhada de até uma hora em intensidade moderada, você não precisa comer nada específico antes. As reservas de glicogênio de uma alimentação normal dão conta. Se você sai muito cedo e sente tontura ou fraqueza, uma fruta ou uma torrada trinta minutos antes resolve. Água antes, durante e depois, principalmente no calor de Londrina no fim do ano.

Depois, o erro clássico é tratar a caminhada como licença para uma refeição maior. Faça a refeição que já estava planejada, com proteína e vegetal. Isotônico e bebida esportiva não têm indicação em caminhada de trinta a sessenta minutos; eles fazem sentido em esforço prolongado ou em muito calor com suor intenso. Nos dias corridos, deixar uma marmita congelada bem escolhida pronta evita que a fome pós-caminhada decida o jantar, e a compra semanal na feira livre é o que garante vegetal disponível para essa refeição.

Como começar se eu estou parado há anos?

Comece pelo tempo, não pela distância nem pelo ritmo. Dez a quinze minutos contínuos, em ritmo confortável, três vezes na primeira semana. Acrescente cinco minutos por semana enquanto a sensação for de esforço leve a moderado no dia seguinte. Tênis adequado e superfície plana reduzem risco de dor em joelho e tornozelo, e o Igapó ajuda nesse aspecto por ser plano.

Quem tem doença cardiovascular conhecida, dor no peito ao esforço, tontura, articulação instável ou está em uso de medicação que altera frequência cardíaca deve conversar com o médico antes de aumentar intensidade. Essa avaliação é médica, não nutricional. Da minha parte, o que ajusto é a alimentação em volta desse movimento, para que o esforço não seja anulado pelo prato.

Perguntas frequentes

Caminhar em jejum queima mais gordura?

Em jejum o corpo usa proporcionalmente mais gordura como combustível durante o exercício, mas isso não se traduz em maior perda de gordura corporal ao longo de semanas, porque o organismo compensa nas horas seguintes. O que decide é o balanço energético do dia e da semana. Caminhe no horário em que você consegue manter a rotina.

Quantos passos por dia eu preciso dar?

Não existe um número obrigatório. Metanálises de coortes mostram queda de mortalidade conforme o total diário de passos aumenta, com o benefício tendendo a estabilizar em faixas em torno de seis a dez mil passos, variando com a idade. Se você está em três mil, subir para seis mil já é uma mudança relevante.

É melhor caminhar de manhã ou à noite?

O horário que você consegue repetir. Em termos de gasto energético a diferença é pequena. Em Londrina, o fator prático costuma ser o calor: no verão, começo da manhã e fim da tarde são mais confortáveis e reduzem o desconforto térmico.

Caminhada substitui musculação?

Não substitui. Caminhada trabalha capacidade cardiorrespiratória e gasto energético; treino de força trabalha massa muscular e força, que importam para a manutenção do peso e para a funcionalidade ao longo da vida. As diretrizes recomendam os dois, com atividade de fortalecimento em pelo menos dois dias por semana.

Dá para emagrecer só caminhando, sem mudar a dieta?

Pode haver alguma perda, em geral pequena, e ela varia muito entre pessoas. Estudos de exercício isolado mostram resultados médios modestos e grande variabilidade individual. Não é possível prometer resultado a ninguém. A combinação de ajuste alimentar com atividade regular é o caminho com melhor evidência.

Preciso de aplicativo ou relógio para acompanhar?

Não é obrigatório, mas ajuda na aderência de muita gente. Se for usar, trate o número de calorias como estimativa grosseira e dê mais atenção a tempo, distância e regularidade, que são medidas mais confiáveis do aparelho.

Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026

Referências

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