Marcos Hirata

Consulta e Atendimento

O que levar na primeira consulta com nutricionista

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Nutrição clínica · Metabolismo · Performance

Resposta rápida: leve os exames de sangue dos últimos doze meses (mesmo os antigos, para comparar), a lista completa de medicamentos e suplementos com dose e horário, relatórios ou receitas de outros profissionais que acompanham você, e uma ideia honesta da sua rotina: horário que acorda, horário de trabalho, onde faz cada refeição e quantas vezes come fora. Se usa relógio ou aplicativo de treino, leve os dados da última semana. Roupa leve ajuda na avaliação corporal. Nada disso é obrigatório para a consulta acontecer, mas cada item que falta vira uma pergunta sem resposta e adia decisão.

Qual é a lista curta do que levar?

Se você tem cinco minutos antes de sair de casa, resolva nesta ordem: exames, medicamentos, documento e histórico. Os exames podem ir impressos ou em PDF no celular. Os medicamentos e suplementos valem uma foto das caixas, porque assim ninguém depende da memória para dose e apresentação. O documento com foto e o cartão do plano, se for usar reembolso, evitam problema na recepção. O histórico é o que você lembra de tentativas anteriores: dietas que fez, o que funcionou, o que não deu certo, quanto tempo durou.

Vale um aviso prático que economiza tempo de agenda. Muita gente chega com o exame no e-mail, sem sinal na sala e sem conseguir baixar o arquivo. Salve os PDFs no celular antes de sair, ou tire print das páginas de resultado. Parece detalhe, mas já vi consulta inteira desperdiçar quinze minutos com download travado.

ItemPor que importaComo conseguir rápido
Exames de sanguemostram estoque de nutrientes, glicemia, lipídios e função de órgãosportal do laboratório ou aplicativo, com login feito em casa
Medicamentos e suplementosvários interferem em absorção, apetite, intestino e pesofoto das caixas ou da receita atual
Relatórios de outros profissionaisevitam conduta que conflita com o tratamento em cursoúltimo relatório entregue por médico, dentista ou terapeuta
Rotina de horáriosdefine quantas refeições cabem no seu dia realolhar a agenda da semana e anotar em três linhas
Dados de treinoajustam energia, carboidrato e horário das refeiçõescaptura de tela do aplicativo ou do relógio
Cartão do plano e documentonecessários para recibo e pedido de reembolsocarteira, ou versão digital no aplicativo da operadora

Quais exames levar e de quanto tempo atrás?

Leve tudo o que tiver dos últimos doze meses, e leve também os antigos se você os guarda. Um valor isolado diz pouco; a mesma ferritina medida três vezes ao longo de dois anos conta uma história. Hemograma, ferritina, vitamina B12, 25-hidroxivitamina D, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico, TSH e marcadores de função hepática e renal são os que mais aparecem em nutrição clínica, mas leve o que você tem, mesmo que ache irrelevante.

Exames de imagem e laudos de endoscopia, colonoscopia, ultrassom de abdome ou densitometria óssea também interessam, principalmente quando existe queixa digestiva ou histórico de perda de massa óssea. Se você fez teste respiratório para supercrescimento bacteriano, leve o laudo completo, não só a conclusão.

Se você não tem exame nenhum, isso não impede a consulta. O nutricionista pode solicitar os exames necessários à avaliação e à evolução nutricional, conforme a Resolução CFN nº 306/2003, e o diagnóstico de doença continua sendo do médico. A diferença é de ritmo: quem chega com exame na mão sai da primeira consulta com uma conduta mais fechada, enquanto quem vai coletar depois costuma ter parte das decisões adiada para o retorno.

Como listar medicamentos e suplementos sem esquecer nada?

O método que funciona é o mais simples: abra a gaveta ou o nécessaire onde estão as caixas e fotografe todas. Inclua o que você usa “de vez em quando”, porque analgésico frequente, antiácido, laxante e anti-inflamatório mudam bastante a leitura de sintoma digestivo. Inclua também chá, fitoterápico, colágeno, whey, creatina, multivitamínico e qualquer fórmula manipulada. O rótulo do manipulado é especialmente importante, porque a composição varia de fórmula para fórmula.

Interação entre medicamento e nutriente é assunto sério e bem documentado na literatura de prática clínica. Alguns exemplos que aparecem toda semana no consultório: metformina e vitamina B12, inibidores de bomba de prótons e absorção de ferro e B12, levotiroxina e o intervalo em relação ao café da manhã, anticoagulantes e a estabilidade da vitamina K na dieta. Nada disso é motivo para mudar dose por conta própria, e ajuste de medicamento é decisão médica. O que muda no meu lado é como e quando a comida é organizada em volta dele.

O que você não precisa levar

Não precisa levar diário alimentar de trinta dias, planilha de calorias nem foto de todas as refeições do mês. Volume de dado não substitui qualidade de dado, e registro longo demais costuma ser abandonado no meio ou preenchido de memória, o que distorce tudo. Três a sete dias representativos, incluindo um fim de semana, valem mais do que um mês mal preenchido. Também não precisa jejuar nem “comer direito na semana anterior” para causar boa impressão: consulta com dado maquiado gera plano que não serve para a sua vida.

Vale a pena anotar o que você come antes da consulta?

Vale, desde que seja curto e honesto. Peço três dias, sendo um deles sábado ou domingo, anotados no momento em que você come, e não no fim do dia. Não precisa pesar nada. Descrever “prato de arroz e feijão com bife e salada, mais um copo de refrigerante” já me dá o que preciso para começar. A hora de cada refeição importa tanto quanto o conteúdo.

A literatura sobre autorrelato alimentar é clara sobre uma coisa: todo registro subestima o consumo real, principalmente de doce, álcool e beliscos. Isso não invalida o método, e a discussão publicada sobre o valor dos dados autorrelatados mostra que eles seguem úteis quando o profissional sabe interpretar o viés. O que atrapalha de verdade é o registro embelezado. Se você comeu quatro pães de queijo às onze da noite, anote quatro pães de queijo às onze da noite. Esse dado costuma ser o mais útil da consulta inteira.

Que informação da sua rotina muda o plano alimentar?

Quase tudo o que define o seu dia. Horário que acorda e que dorme, quantas horas dorme de fato, turno de trabalho, se dirige muito, se tem intervalo real para almoçar, se come no refeitório da empresa, se depende de marmita, quem cozinha em casa, quantas vezes por semana come fora e qual o orçamento semanal de compras. Um plano bonito que ignora um turno noturno ou uma jornada de dez horas em rota não sobrevive à segunda semana.

Também interessa a parte que ninguém costuma contar sem ser perguntado: períodos de estresse alto, luto recente, mudança de cidade, ansiedade que aparece à noite, histórico de compulsão, uso de álcool e relação com a balança. Nada disso vira julgamento na consulta, e tudo isso muda o desenho do plano. Quem quer saber quanto tempo essa conversa costuma ocupar encontra a resposta no texto sobre quanto tempo dura uma consulta com nutricionista.

O que muda quando a consulta é online?

Muda a logística, não o conteúdo. Envie os exames por e-mail ou pelo canal combinado com antecedência, de preferência um ou dois dias antes, para que eu chegue à consulta com eles lidos. Teste câmera, microfone e internet uns minutos antes. Escolha um lugar reservado onde você consiga falar sem plateia, porque parte das perguntas é pessoal.

Se você tem balança em casa, pese-se na manhã da consulta, em jejum, com pouca roupa, e anote o número. Se tem fita métrica, medir cintura na altura do umbigo com a fita paralela ao chão já ajuda. A telenutrição é regulamentada pela Resolução CFN nº 760/2023, que exige cadastro do profissional no e-Nutricionista, e o documento gerado na consulta chega assinado eletronicamente com a mesma validade do papel. O panorama completo do que acontece na avaliação, presencial ou a distância, está em como funciona a primeira consulta nutricional.

Precisa de jejum, roupa específica ou tirar o sapato?

Jejum para a consulta em si não é necessário. Se houver bioimpedância, o preparo é outro assunto e costuma envolver evitar exercício intenso e álcool nas horas anteriores, manter hidratação habitual, esvaziar a bexiga antes e não fazer uma refeição grande logo antes do exame. As instruções variam conforme o aparelho, então siga o que o consultório orientar e não o que você leu em outro lugar.

Roupa leve, que permita medir cintura sem constrangimento, torna a avaliação mais rápida. Sapato sai para pesar e para medir altura, e meia sai se houver medida por eletrodos nos pés. Evite creme hidratante nos pés e nas mãos no dia da bioimpedância, porque atrapalha o contato. Se você prefere não fazer medidas corporais naquele dia, diga. Avaliação nutricional acontece do mesmo jeito, com outros dados.

O que levar em situações específicas?

Gestante: cartão de pré-natal, ultrassons e o resultado do teste de tolerância à glicose, quando já feito. Pós-operatório de cirurgia bariátrica: relatório da cirurgia com o tipo de técnica, exames de rotina do seguimento e a lista de suplementos em uso, que costuma ser longa. Atleta ou corredor: planilha de treino atual, calendário de provas e histórico de queixas digestivas em competição.

Criança e adolescente: caderneta de saúde com a curva de crescimento, exames recentes e, se possível, a presença de quem faz as compras e cozinha em casa. A dinâmica dessa consulta é diferente da consulta de adulto e está descrita em nutricionista para adolescente. Quem vai usar cartão de descontos ou programa de benefício deve levar o cartão e conferir antes o que ele cobre, tema tratado em consulta com nutricionista no Cartão de TODOS.

E se eu esquecer alguma coisa?

A consulta acontece assim mesmo. Nenhum item dessa lista é condição para ser atendido, e nenhum profissional deveria remarcar você por causa de um exame que ficou em casa. O que acontece na prática é que a parte da conduta que dependia daquele dado fica pendente, e a gente combina o envio depois, pelo canal de contato do consultório.

O que eu peço é que você avise antes, se souber que vai faltar algo. Com aviso, eu reorganizo a ordem da consulta e uso o tempo em outra frente, como história alimentar e desenho da rotina. Sem aviso, o tempo se perde procurando arquivo no celular. Quem chega com material organizado sai com plano mais fechado, e essa é a única vantagem real de fazer a lista na véspera.

Perguntas frequentes

Preciso levar exames impressos ou o PDF no celular basta?

O PDF basta, desde que esteja salvo no aparelho e não dependa de internet no consultório. Se puder, envie por e-mail antes da consulta. Assim o profissional chega com os resultados lidos e usa o tempo do encontro para conversar, e não para abrir arquivo.

Devo fazer exames antes de marcar a primeira consulta?

Não precisa. Se você já tem exames recentes, leve. Se não tem, o pedido pode sair da própria consulta, direcionado ao seu caso, o que costuma ser melhor do que coletar um painel genérico por conta própria e descobrir depois que faltou o que importava.

Posso levar alguém comigo?

Pode, e em alguns casos ajuda muito: criança, adolescente, idoso e quem tem outra pessoa cozinhando em casa se beneficiam da presença de quem participa das refeições. Parte da consulta trata de assuntos pessoais, então combine antes se o acompanhante fica na sala o tempo todo ou só no fechamento do plano.

Preciso anotar tudo o que como na semana anterior?

Três dias representativos, com um deles no fim de semana, resolvem. Anote no momento em que come, sem pesar nada e sem melhorar a versão. Registro longo tende a ser preenchido de memória no fim do dia, e memória de comida é ruim para todo mundo, não só para você.

Levar suplementos que comprei por conta própria vai gerar sermão?

Não deveria. Leve os potes ou fotografe os rótulos. Saber o que você já toma evita duplicar doses, evita interação e às vezes economiza dinheiro, porque parte do que está na prateleira não faz o que promete. A conversa é sobre evidência e utilidade, não sobre julgamento.

Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026

Referências

  1. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução CFN nº 306, de 24 de março de 2003, e alterações posteriores. Dispõe sobre a solicitação de exames laboratoriais na área de nutrição clínica.
  2. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução CFN nº 599, de 25 de fevereiro de 2018. Código de Ética e de Conduta do Nutricionista.
  3. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução CFN nº 600, de 25 de fevereiro de 2018. Dispõe sobre a definição das áreas de atuação do nutricionista e suas atribuições.
  4. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução CFN nº 760, de 24 de outubro de 2023. Regulamenta a telenutrição.
  5. Swan WI, Vivanti A, Hakel-Smith NA, et al. Nutrition Care Process and Model Update: Toward Realizing People-Centered Care and Outcomes Management. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. 2017;117(12):2003-2014. DOI: 10.1016/j.jand.2017.07.015
  6. Subar AF, Freedman LS, Tooze JA, et al. Addressing Current Criticism Regarding the Value of Self-Report Dietary Data. The Journal of Nutrition. 2015;145(12):2639-2645. DOI: 10.3945/jn.115.219634
  7. Boullata JI, Hudson LM. Drug-Nutrient Interactions: A Broad View with Implications for Practice. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. 2012;112(4):506-517. DOI: 10.1016/j.jada.2011.09.002
  8. Raynor HA, Champagne CM. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics: Interventions for the Treatment of Overweight and Obesity in Adults. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. 2016;116(1):129-147. DOI: 10.1016/j.jand.2015.10.031

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