Marcos Hirata

Consulta e Atendimento

Onde fazer bioimpedância em Londrina e o que ela mostra

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Nutrição clínica · Metabolismo · Performance

Resposta rápida: em Londrina a bioimpedância é feita principalmente em consultórios de nutrição, clínicas de nutrição e de medicina do esporte, academias e alguns serviços de avaliação física, e não em qualquer laboratório de análises clínicas. Antes de escolher onde fazer, o que importa não é o endereço, é o aparelho: quantos eletrodos ele usa, se é multifrequência e se o laudo entrega os dados brutos. Bioimpedância estima a composição do corpo a partir da resistência elétrica dos tecidos, ela não mede gordura diretamente. Por isso o valor absoluto de um exame isolado importa menos do que a comparação de exames feitos no mesmo aparelho, com o mesmo preparo.

Onde a bioimpedância costuma estar disponível na cidade?

Quatro tipos de lugar concentram o exame em Londrina. Consultórios de nutrição, que costumam incluir a medida na consulta ou oferecer como avaliação isolada. Clínicas de nutrição, de endocrinologia e de medicina do esporte, muitas na região central, no eixo da Avenida Higienópolis, na Gleba Palhano e na zona sul. Academias e estúdios de treinamento, que oferecem a avaliação para alunos, com aparelhos de qualidade bastante variável. E serviços de avaliação física ligados a universidades e a projetos de extensão, quando há vaga aberta à comunidade.

Laboratório de análises clínicas nem sempre faz o exame, porque bioimpedância não é análise de amostra: é uma medida funcional feita em equipamento próprio. Vale ligar antes em vez de aparecer, e vale ligar perguntando a coisa certa. Em vez de “vocês fazem bioimpedância?”, pergunte: qual é o aparelho, quantos eletrodos, é multifrequência, o laudo sai com resistência e reactância ou só com o percentual de gordura, e quem interpreta o resultado.

Para quem mora na região, a distância pesa menos do que parece: Cambé está a cerca de 14 km, Ibiporã a 15 km, Rolândia a 25 km e Arapongas a 39 km do centro de Londrina. Como o exame só rende quando é repetido no mesmo equipamento, escolher um local ao qual você consiga voltar em dois e em quatro meses vale mais do que escolher o aparelho mais sofisticado de uma vez só.

Por que o aparelho muda tanto o resultado?

A bioimpedância aplica uma corrente elétrica de intensidade muito baixa e mede a oposição que o corpo oferece à passagem dessa corrente. Massa magra tem muita água e eletrólitos, conduz bem. Gordura e osso conduzem mal. A partir dessa medida elétrica, o aparelho aplica uma equação de predição e estima a composição corporal. Dois pontos decorrem disso: o número de gordura é sempre estimativa, e a equação embutida no aparelho influencia o resultado tanto quanto a sua fisiologia.

Tipo de aparelhoComo medeO que entrega bemLimitação principal
Balança de dois eletrodos (perna a perna)corrente sobe por um pé e desce pelo outrotendência ao longo do tempo, se sempre igualestima mal o tronco e a parte superior do corpo
Portátil de mão (mão a mão)corrente circula entre as duas mãospraticidade e custo baixoestima mal a região abdominal e as pernas
Tetrapolar mão e pé, monofrequênciaquatro pontos, uma frequênciaestimativa razoável do corpo inteironão separa bem água intra e extracelular
Octopolar segmentar, multifrequênciaoito eletrodos, várias frequênciasanálise por segmento e distribuição de águapreço, e ainda assim é predição, não medida direta
Com ângulo de fase e vetorusa resistência e reactância brutasparâmetro celular sem depender de equaçãoexige interpretação clínica treinada

É por isso que o número da balança da academia discorda do número do consultório. Não é que um esteja mentindo: são equações, eletrodos e trajetos de corrente diferentes. Estudos de comparação com métodos de referência mostram que a bioimpedância acompanha bem médias de grupo, mas o erro individual pode ser relevante, principalmente nos extremos de índice de massa corporal.

A regra que salva o exame

Escolha um aparelho e fique nele. Comparar o percentual de gordura medido numa balança de academia com o de um octopolar de clínica não diz nada sobre o seu corpo, diz apenas que os equipamentos são diferentes. Anote o modelo, o local, a hora do dia e o preparo, e repita tudo igual na próxima medida. Uma medida ruim repetida do mesmo jeito informa mais que duas medidas boas incomparáveis entre si.

Como se preparar para não estragar o exame?

O que a bioimpedância mede é, em boa parte, água. Qualquer coisa que altere sua hidratação altera o resultado. As recomendações clássicas de padronização incluem: jejum de três a quatro horas, sem álcool nas vinte e quatro horas anteriores, sem exercício intenso nas horas que antecedem o exame, bexiga esvaziada pouco antes, sem creme ou loção nas mãos e nos pés, e sem adornos metálicos.

Dois cuidados específicos de Londrina. No verão, com máximas em torno de vinte e oito a vinte e nove graus e umidade alta, é fácil chegar ao exame com desidratação leve depois de um deslocamento a pé ou de um treino no fim da tarde: agende de manhã e chegue com calma. No inverno seco, quando julho e agosto acumulam pouca chuva e a umidade relativa cai bastante, a ingestão de líquido despenca sem que a pessoa perceba, e isso também desloca a leitura. Manter a rotina de bebida habitual no dia anterior é mais importante do que beber muita água na hora.

Mulheres em idade fértil costumam ter variação de água corporal ao longo do ciclo. Não é motivo para evitar o exame, é motivo para registrar em que fase do ciclo ele foi feito e tentar repetir na mesma fase. Quem usa marca-passo ou dispositivo eletrônico implantado deve informar antes, porque isso muda a indicação do exame e é decisão a ser conversada com o médico responsável.

O que a bioimpedância mostra de verdade?

Ela entrega uma estimativa de massa livre de gordura, de massa gorda e de água corporal, e nos aparelhos multifrequência uma separação aproximada entre água intracelular e extracelular. Nos equipamentos que fornecem resistência e reactância brutas, entrega também o ângulo de fase, um parâmetro que não depende de equação de predição e que vem sendo estudado como indicador de integridade celular e de estado nutricional em contextos clínicos.

O que ela não entrega: diagnóstico, gordura visceral medida (o que aparece com esse nome é estimativa indireta), avaliação de risco cardiovascular isolada e qualquer conclusão sobre doença. Também não substitui a avaliação de força e de função, que é parte central da definição de sarcopenia nos consensos atuais. Um número de massa magra sem teste de força conta metade da história.

Na prática de consultório, uso o exame para responder três perguntas: a massa magra está sendo preservada durante uma perda de peso, houve mudança na distribuição de água que explique variação súbita na balança, e a tendência ao longo dos meses acompanha o que o treino e a alimentação deveriam produzir. São perguntas de acompanhamento, não de rótulo.

Bioimpedância, adipômetro, DEXA ou calorimetria: qual responde o quê?

São perguntas diferentes. O adipômetro estima gordura subcutânea por dobras cutâneas e depende muito da mão de quem mede, mas é barato e reprodutível quando é sempre o mesmo avaliador. A densitometria por raios X, a DEXA, é o método de referência clínico mais usado para composição corporal e envolve radiação de dose muito baixa, com indicação e solicitação médica. A bioimpedância fica no meio: rápida, acessível, útil para tendência.

A calorimetria indireta responde outra coisa completamente. Ela mede o gasto energético de repouso a partir do consumo de oxigênio e da produção de gás carbônico, ou seja, quanta energia o seu corpo gasta parado, em vez de estimar do que ele é feito. Quando a suspeita é de que a fórmula de estimativa de calorias está errada para o seu caso, o exame que responde é esse, e o funcionamento dele está explicado na página de calorimetria indireta. Bioimpedância e calorimetria são complementares, não concorrentes.

Como interpretar a diferença entre dois exames?

Antes de interpretar qualquer variação, confira quatro condições: mesmo aparelho, mesmo preparo, mesma hora do dia e intervalo suficiente. Se qualquer uma delas mudou, a comparação perde a maior parte do valor. Intervalos curtos, de duas ou três semanas, costumam captar mais oscilação de hidratação do que mudança real de tecido. Um intervalo de oito a doze semanas é mais informativo para a maioria dos objetivos.

Variações que aparecem com frequência e assustam sem motivo: aumento de massa magra logo depois de retomar treino de força com muita reposição de carboidrato, porque glicogênio carrega água; queda aparente de massa magra depois de uma noite mal dormida com pouco líquido; oscilação em dias muito quentes e úmidos do verão londrinense. Nenhuma dessas coisas é ganho ou perda de músculo em poucos dias. Interprete a linha, não o ponto.

Quando o exame de sangue responde melhor que a balança?

Quando a pergunta é sobre saúde e não sobre composição. Cansaço persistente, queda de cabelo, alteração de ciclo menstrual, sensação de fraqueza e perda de peso sem explicação pedem investigação laboratorial e avaliação médica, não uma nova medida de percentual de gordura. Compete ao nutricionista solicitar os exames necessários à avaliação, à prescrição e à evolução nutricional, conforme a Resolução CFN nº 306/2003, e o diagnóstico de doença é sempre do médico. Onde coletar e o que costuma ser pedido em cada situação está em onde fazer exame de sangue em Londrina.

Um erro comum é substituir investigação por avaliação de composição. A bioimpedância é atraente porque devolve muitos números em dois minutos, e isso dá sensação de resposta. Se o incômodo é sintoma, os números certos estão no sangue e na consulta clínica.

Faz sentido para quem treina e corre?

Faz, com cuidados. Para corredores, o uso mais útil é monitorar se a massa magra está estável ao longo de um bloco de treino, principalmente em fases de aumento de volume. Perda de massa magra junto com queda de desempenho, alteração de ciclo menstrual, fratura por estresse ou fadiga persistente aponta para baixa disponibilidade energética, um quadro descrito nos consensos internacionais de deficiência energética relativa no esporte e que exige avaliação, não ajuste de dieta por conta própria.

Fazer o exame logo depois de um treino longo no calor produz leitura enganosa, e em Londrina isso é rotina de quem corre no fim da tarde no calçadão do Lago Igapó ou nas subidas da região do Parque Arthur Thomas. Meça em dia de descanso ou antes do treino, sempre no mesmo horário. Quem está montando a rotina de treino na cidade encontra opções de percurso e terreno em onde correr em Londrina.

Perguntas frequentes

Preciso de pedido médico para fazer bioimpedância?

Não é um exame de imagem nem de análise clínica, e costuma ser realizado dentro da avaliação nutricional ou física. Ainda assim, o local pode ter regra própria. Se o objetivo é investigar sintoma ou doença, o caminho é a consulta médica, porque composição corporal não fecha diagnóstico.

Gestante pode fazer?

Na gestação a água corporal muda muito, e as equações de predição não foram desenvolvidas para essa condição, o que torna o resultado pouco interpretável. O acompanhamento do ganho de peso gestacional é feito por outros parâmetros, definidos com a equipe que acompanha o pré-natal.

Por que o resultado muda se eu repetir no mesmo dia?

Porque hidratação, temperatura da pele, contato dos eletrodos, posição do corpo e enchimento da bexiga mudam a resistência medida. Pequenas diferenças no mesmo dia são esperadas e não indicam mudança de tecido. É mais um argumento para padronizar o preparo e olhar a tendência.

O que é ângulo de fase e devo me preocupar com ele?

É um parâmetro derivado diretamente da resistência e da reactância, sem passar por equação de predição, e vem sendo estudado como indicador de integridade celular e de estado nutricional. Não é um número para autoavaliação: ele só faz sentido interpretado junto com o quadro clínico, e não define diagnóstico sozinho.

Com que frequência devo repetir o exame?

Para a maior parte dos objetivos, a cada oito a doze semanas. Intervalos menores captam sobretudo oscilação de água. Em situações clínicas específicas, a frequência é definida caso a caso pelo profissional que acompanha.

A bioimpedância mostra gordura no fígado?

Não. O que alguns aparelhos chamam de gordura visceral é uma estimativa indireta a partir da impedância do tronco, e não visualiza órgão nenhum. Avaliação de gordura hepática é feita com exame de imagem e avaliação médica.

Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026

Referências

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