Marcos Hirata

Consulta e Atendimento

Gestante em Londrina: nutrição no pré-natal e quem faz o quê

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Nutrição clínica · Metabolismo · Performance

Resposta rápida: o pré-natal é conduzido por médico ou por enfermeiro obstetra, e é essa equipe que acompanha a evolução da gestação, pede e interpreta os exames de rotina e define a suplementação. O nutricionista entra como apoio: trabalha a qualidade da alimentação, os sintomas que atrapalham o comer (enjoo, azia, intestino preso), a adequação de nutrientes e a adaptação do prato às condições clínicas que a equipe identificar. Gestação não é momento de dieta de emagrecimento nem de meta de peso fechada. Em Londrina, o caminho costuma começar na unidade básica de saúde ou no consultório do obstetra, e o acompanhamento nutricional acontece em paralelo.

Quem conduz o pré-natal e onde entra o nutricionista?

O pré-natal é ato de médico ou de enfermeiro obstetra. São eles que fazem as consultas de rotina, medem altura uterina e pressão, escutam batimentos, solicitam e leem os exames, avaliam risco gestacional, definem encaminhamentos e prescrevem o que for preciso. Nada do que está neste texto substitui essas consultas, e nenhum nutricionista deve conduzir uma gestação sozinho.

O que eu faço é outra coisa. Avalio a alimentação real da gestante, identifico lacunas de nutrientes, adapto o prato aos sintomas do trimestre, resolvo aversões alimentares que apareceram do nada, organizo os horários e ajusto o plano quando a equipe do pré-natal comunica alguma condição clínica. Não faço diagnóstico e não prescrevo medicamento.

Essa divisão é legal e prática. A resolução do Conselho Federal de Nutricionistas que define as áreas de atuação delimita o que é atribuição do nutricionista, e a lei do exercício da enfermagem prevê a assistência de pré-natal de baixo risco pelo enfermeiro. Quando a gestação é classificada como de risco, a condução passa a ser médica, com serviço de referência.

Em que momento da gestação procurar um nutricionista?

Se der para escolher, antes de engravidar. O período pré-concepcional é quando dá para organizar a alimentação com calma, corrigir hábitos e chegar à gestação com o estoque de nutrientes em ordem. A suplementação de folato no período que antecede a concepção e no início da gestação tem efeito bem documentado sobre defeitos de fechamento do tubo neural, e quem define essa prescrição é a equipe de saúde.

Na prática, a maioria procura no primeiro trimestre, quando o enjoo aperta, ou no segundo, quando o apetite volta e a dúvida passa a ser o que comer. Os dois momentos funcionam. Procurar no terceiro trimestre também tem valor, principalmente quando aparece azia constante, dificuldade de comer volume ou alguma orientação nova da equipe.

Como o peso é acompanhado na gestação?

O ganho de peso na gestação é monitorado pela equipe de pré-natal usando faixas de referência que variam conforme o estado nutricional do início da gravidez. Essas faixas são um instrumento de acompanhamento populacional, não uma meta pessoal fechada, e ninguém deve receber um número de quilos como objetivo a ser cumprido.

Uma metanálise ampla publicada em 2017 associou ganho fora das faixas de referência a desfechos maternos e neonatais menos favoráveis, tanto para menos quanto para mais. É por isso que a curva é acompanhada. O que a evidência não autoriza é o caminho oposto: fazer restrição calórica na gravidez para segurar o peso. Isso não é conduta nutricional, e eu não faço.

O que se ajusta é a qualidade e a distribuição da alimentação. Uma análise de dados individuais de participantes publicada no BMJ mostrou que intervenções de dieta e atividade física na gestação atuam de forma modesta sobre o ganho de peso, com bom perfil de segurança, e o foco delas é o padrão alimentar, não a privação. Atividade física na gestação é liberada pela equipe do pré-natal, caso a caso.

Gestação não é hora de dieta de emagrecimento

Se você iniciou a gestação com peso acima do que gostaria, o trabalho não é perder peso agora. É garantir aporte adequado de nutrientes, evitar excessos que não fazem falta e cuidar da qualidade do prato. Qualquer plano que proponha déficit calórico durante a gravidez deve ser recusado e comunicado à equipe do pré-natal.

Quais nutrientes recebem atenção no pré-natal?

Ferro e folato são os dois clássicos, com revisões Cochrane consolidadas sobre suplementação de ferro por via oral na gestação e sobre folato periconcepcional. Cálcio, iodo, vitamina D, vitamina B12 e ômega-3 entram conforme o padrão alimentar de cada gestante, com atenção especial para quem é vegetariana ou vegana, para quem passou por cirurgia bariátrica e para quem tem restrição alimentar por alergia.

Proteína também merece olhar, porque muita gente reduz carne no primeiro trimestre por aversão e não substitui por nada. Ovos, laticínios, leguminosas e peixes de baixo teor de mercúrio costumam resolver bem. Fibra e água entram cedo na conversa, porque intestino preso é regra na gestação, não exceção.

Sobre suplementos múltiplos, a revisão Cochrane de micronutrientes múltiplos na gestação avaliou o tema em contextos populacionais diversos, e o resultado não autoriza tratar polivitamínico como substituto de comida. Quem define o que você vai tomar, em que dose e até quando, é a equipe do pré-natal, considerando seus exames.

TemaQuem conduzO que eu faço como nutricionista
Consultas de pré-natal e exames de rotinamédico ou enfermeiro obstetraleio o que já foi solicitado e adapto o plano
Classificação de risco gestacionalequipe médicaajusto a conduta nutricional ao que foi definido
Prescrição de ferro, folato e vitaminas do pré-natalequipe do pré-nataloriento como tomar junto à alimentação
Diagnóstico de diabetes gestacional ou anemiamédicomonto o plano alimentar depois do diagnóstico
Liberação para atividade físicaequipe do pré-natalajusto refeições em torno do que foi liberado
Enjoo, azia, aversões e intestino presoavaliado pela equipeconduzo as estratégias alimentares

O que fazer com enjoo, azia e intestino preso?

Enjoo do primeiro trimestre responde melhor a volume pequeno e frequência maior do que a refeição grande. Comer algo seco antes de levantar, evitar ficar em jejum longo, separar líquido das refeições e fugir de cheiro forte no preparo são estratégias simples que resolvem boa parte dos casos. Gengibre é opção estudada, e o uso de qualquer medicamento para náusea precisa de avaliação médica.

Azia e refluxo tendem a piorar no terceiro trimestre, por razão mecânica. Reduzir volume por refeição, não deitar logo depois de comer, elevar a cabeceira e identificar os gatilhos individuais costuma dar resultado melhor do que uma lista genérica de proibições. Intestino preso melhora com fibra distribuída ao longo do dia, água suficiente e movimento, quando liberado.

Vômito persistente, incapacidade de reter líquido, perda de peso e sinais de desidratação não são “enjoo forte”. Isso é situação para avaliação médica imediata, e é uma das poucas coisas neste texto que eu peço para você não tentar resolver com ajuste de cardápio.

Existe alimento proibido na gravidez?

Existem cuidados de segurança alimentar que fazem sentido: evitar carne, peixe e ovo crus ou malpassados, leite e derivados não pasteurizados, embutidos artesanais de origem duvidosa e vegetais mal higienizados. A lógica aqui é reduzir risco de infecção alimentar, que na gestação pode ter consequência maior. Peixes de alto teor de mercúrio entram na lista de moderação.

Álcool é o item em que não há faixa segura estabelecida na gestação, e a recomendação das autoridades de saúde é não consumir. Cafeína costuma ser orientada em quantidade limitada, e o número exato deve vir da equipe que acompanha você. Fora isso, a lista de “proibidos” que circula na internet é maior do que a evidência sustenta, e restringir demais atrapalha o aporte de nutrientes.

E quando aparece alguma alteração nos exames?

Diabetes gestacional, anemia, alteração de tireoide e hipertensão são diagnósticos médicos, feitos a partir dos exames do pré-natal. Meu papel começa depois: com o diagnóstico na mão, monto o plano alimentar adequado àquela condição e acompanho a resposta junto com a equipe.

No caso de diabetes gestacional, por exemplo, o trabalho é sobre distribuição de carboidrato ao longo do dia, combinação de alimentos, fracionamento e adequação de fibra, sempre articulado com o monitoramento de glicemia orientado pelo médico. A decisão sobre uso de medicação é dele. Se você quiser entender melhor a fronteira entre abordagens nutricionais e conduta médica, escrevi sobre isso em nutrição funcional em Londrina, onde trato de exames sem respaldo e de promessas exageradas.

Como isso se organiza para quem mora em Londrina?

Na rede pública, o pré-natal de baixo risco começa na unidade básica de saúde do seu território, com médico ou enfermeiro obstetra, e casos classificados como de risco são encaminhados para serviço de referência. Na rede privada, o ponto de partida é a consulta com o obstetra, e o encaminhamento para nutrição costuma partir dele ou da própria gestante. Verifique com seu plano de saúde se a consulta com nutricionista está coberta e em qual formato.

Atendo em Londrina presencialmente e online para o restante do país, e o acompanhamento de gestante funciona bem nos dois formatos, com a ressalva de que medidas antropométricas presenciais exigem encontro físico. O panorama do atendimento na cidade está reunido na página de nutricionista em Londrina. Outros temas com rota local própria, como lipedema e quem faz o diagnóstico, seguem a mesma lógica de deixar claro o que é do médico.

Uma coisa que peço sempre: leve à consulta de nutrição a caderneta ou o cartão da gestante, os exames do pré-natal e a lista do que foi prescrito. Com esse material, a consulta rende muito mais, e eu consigo trabalhar dentro do que a equipe já definiu, em vez de propor um caminho paralelo.

Perguntas frequentes

Preciso mesmo comer por dois?

Não. A necessidade de energia aumenta de forma modesta e progressiva ao longo da gestação, e não dobra. O que aumenta bastante é a necessidade de alguns micronutrientes, o que torna a qualidade do prato mais relevante do que o volume.

O nutricionista pode dizer se meu bebê está bem?

Não. Avaliação do crescimento fetal, ultrassom, batimentos e classificação de risco são do médico ou do enfermeiro obstetra. Se surgir qualquer sinal de alerta durante a consulta de nutrição, eu oriento a procurar a equipe do pré-natal.

Posso fazer jejum intermitente ou dieta low carb grávida?

Protocolos de restrição não são conduta adequada na gestação. Jejum prolongado e cortes agressivos de grupos alimentares comprometem aporte de nutrientes em um período de demanda aumentada. Se você já fazia algo assim, converse com a equipe do pré-natal e comigo para reorganizar.

Sou vegetariana. Preciso mudar na gestação?

Não precisa abandonar, precisa planejar. A atenção recai sobre ferro, vitamina B12, cálcio, zinco, iodo e ômega-3, e a suplementação é definida pela equipe a partir dos seus exames. Padrões vegetarianos bem planejados são compatíveis com a gestação.

Quantas consultas de nutrição uma gestante costuma fazer?

Não existe número fixo. Um acompanhamento com pelo menos uma consulta por trimestre já permite ajustar as fases da gestação, e casos com condição clínica associada costumam pedir intervalos menores. A frequência é definida caso a caso, junto com você.

E depois do parto, o acompanhamento continua?

Costuma continuar, com outro foco: amamentação, recuperação, sono fragmentado e alimentação viável com bebê em casa. O retorno ao peso anterior não é assunto das primeiras semanas, e o puerpério tem acompanhamento próprio pela equipe de saúde.

Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026

Referências

  1. World Health Organization. WHO recommendations on antenatal care for a positive pregnancy experience. Geneva: WHO; 2016.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica nº 32. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
  3. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem.
  4. Institute of Medicine and National Research Council. Weight Gain During Pregnancy: Reexamining the Guidelines. Washington: National Academies Press; 2009.
  5. Goldstein RF, Abell SK, Ranasinha S, et al. Association of gestational weight gain with maternal and infant outcomes: a systematic review and meta-analysis. JAMA. 2017;317(21):2207-2225. DOI: 10.1001/jama.2017.3635
  6. International Weight Management in Pregnancy (i-WIP) Collaborative Group. Effect of diet and physical activity based interventions in pregnancy on gestational weight gain and pregnancy outcomes: meta-analysis of individual participant data from randomised trials. BMJ. 2017;358:j3119. DOI: 10.1136/bmj.j3119
  7. De-Regil LM, Peña-Rosas JP, Fernández-Gil A, Dowswell T. Effects and safety of periconceptional oral folate supplementation for preventing birth defects. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2015;(12):CD007950. DOI: 10.1002/14651858.CD007950.pub3
  8. Peña-Rosas JP, De-Regil LM, Garcia-Casal MN, Dowswell T. Daily oral iron supplementation during pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2015;(7):CD004736. DOI: 10.1002/14651858.CD004736.pub5
  9. Keats EC, Haider BA, Tam E, Bhutta ZA. Multiple-micronutrient supplementation for women during pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2019;(3):CD004905. DOI: 10.1002/14651858.CD004905.pub6

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