Marcos Hirata

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Corridas de rua em Londrina: calendário e como comer no ciclo

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Nutrição clínica · Metabolismo · Performance

Resposta rápida: o calendário de corrida de rua em Londrina segue o clima da cidade. As provas diurnas se concentram no período seco e ameno, de abril a setembro, quando julho e agosto acumulam pouca chuva e as mínimas ficam na casa dos doze a quatorze graus. No verão, com máximas em torno de vinte e oito a vinte e nove graus, mínimas de vinte e chuva forte de dezembro a março, o que sobra são provas noturnas e treinos no começo do dia. Em vez de decorar datas que mudam todo ano, o que rende é montar a temporada em blocos: escolher duas ou três provas-alvo, ajustar carboidrato e líquido ao clima de cada época e testar tudo antes.

Como o calendário de provas se distribui ao longo do ano?

Londrina fica a cerca de seiscentos metros de altitude, com clima subtropical úmido e uma diferença grande entre as estações. A climatologia da cidade mostra janeiro com quase trezentos milímetros de chuva e máximas perto de vinte e nove graus, enquanto julho e agosto ficam entre sessenta e sessenta e cinco milímetros, com mínimas de doze a quatorze graus e máximas de vinte e dois a vinte e cinco. Setembro já traz a chuva de volta e temperaturas subindo.

Esse desenho explica o comportamento do calendário local. O bloco de abril a setembro concentra a maior parte das provas diurnas de rua, incluindo as distâncias longas, porque a temperatura de largada é confortável e o risco de tempestade é menor. De outubro a março predominam as provas noturnas e as corridas de percurso fechado, entre elas as realizadas no autódromo, além de eventos de assessorias e provas beneficentes de distância curta. Fevereiro e março tendem a ser meses de calendário mais rarefeito por causa da chuva.

Isso não é regra fixa e o calendário muda de ano para ano, mas a lógica climática se mantém. Prova longa com clima favorável em Londrina é no inverno; competir no verão é à noite, e a preparação alimentar muda bastante.

Onde conferir as datas sem cair em informação velha?

Não confie em lista de datas publicada em blog, inclusive esta página, porque calendário de corrida muda o tempo todo: prova adiada, mudança de local, alteração de percurso, cancelamento por chuva. As fontes que se atualizam são a federação estadual de atletismo, as páginas oficiais dos organizadores, as plataformas de inscrição e as assessorias de corrida da cidade.

Antes de inscrever, confirme quatro coisas que afetam a alimentação: horário exato da largada, percurso e altimetria, quantos pontos de hidratação existem e o que será servido neles. Prova que só oferece água muda o seu plano, e prova com poucos pontos exige levar o próprio líquido.

Como montar a temporada em vez de correr prova atrás de prova?

O erro mais comum de quem corre em Londrina é inscrever-se em tudo que aparece no inverno e chegar em setembro sem ter treinado direito para nada. Duas ou três provas-alvo por ano bastam. As demais entram como prova de ritmo, e servem para testar café da manhã, gel e hidratação em situação real.

ÉpocaClima típico em LondrinaTipo de prova mais comumPrioridade alimentar
Janeiro a marçoquente e chuvoso, mínimas perto de vinte grausnoturnas e curtashidratação e sódio, refeição pré-prova no fim da tarde
Abril e maiotransição, chuva caindo, manhãs amenasrua diurna, dez e vinte e um quilômetrosconstruir base de carboidrato do bloco de treino
Junho a agostoseco e frio de manhã, ar com umidade baixapico de provas diurnas e longaslíquido programado por horário, café da manhã cedo
Setembro e outubroesquentando, chuva voltando, tarde quenterua diurna e primeiras noturnasreajustar volume de líquido para cima
Novembro e dezembroquente e úmidonoturnas e curtastreinar o intestino para o gel no calor

Entre provas-alvo, o trabalho alimentar é outro. No bloco de construção, a prioridade é energia suficiente para o volume, proteína distribuída no dia e ferro em dia, principalmente em mulheres. Na aproximação, vira estratégia: carboidrato dos dias finais, café da manhã e o que usar durante. A preparação das distâncias longas está detalhada em semana da meia maratona de Londrina.

O que muda na alimentação nas provas do inverno seco?

Três coisas. A primeira é a sede, que diminui no frio e faz o corredor beber menos do que precisa. Perde-se líquido do mesmo jeito, e no ar seco de julho e agosto a perda pela respiração aumenta. A solução prática é beber por horário, não por vontade, e conhecer a própria taxa de sudorese pesando-se antes e depois de um treino longo, sempre em condições parecidas com as da prova.

A segunda é o horário. Prova de inverno em Londrina costuma largar cedo, com temperatura baixa, e isso obriga a antecipar o café da manhã. Quem larga às sete precisa comer entre cinco e meia e seis, e essa refeição precisa ter sido testada em treino, não improvisada no dia. Carboidrato de digestão fácil, pouca gordura, pouca fibra e volume moderado é a fórmula que menos dá problema.

A terceira é o aquecimento mais longo, que aumenta um pouco o gasto antes da largada. O que muda com o frio é sobretudo o líquido e o sódio, não a quantidade de carboidrato. Para simular esse cenário nos treinos longos, olhe terreno e altimetria dos percursos da cidade, reunidos em onde correr em Londrina.

E nas provas noturnas de verão?

Prova noturna inverte o planejamento. O que decide é o dia inteiro: café da manhã normal, almoço com carboidrato bem representado, lanche três a quatro horas antes da largada e algo pequeno na última hora, se houver fome. Largar às oito da noite depois de um almoço fraco é o roteiro clássico da quebra no meio da prova.

Calor e umidade alta reduzem a eficiência da evaporação do suor, o que aumenta a sobrecarga térmica e a perda de líquido. Os consensos sobre exercício no calor recomendam aclimatação progressiva ao longo de uma a duas semanas de treinos nas condições esperadas, o que em Londrina significa treinar no fim da tarde, e não só de manhã cedo, nas semanas que antecedem uma prova noturna de verão. Aumente também a atenção ao sódio, principalmente em quem sua muito e termina o treino com marcas de sal na roupa.

Um cuidado adicional: gel e bebida esportiva esvaziam mais devagar do estômago quando a intensidade e a temperatura sobem, o que aumenta o risco de desconforto gastrointestinal. Testar a estratégia em treino no mesmo horário e no mesmo calor não é preciosismo, é o que evita perder a prova por enjoo. As particularidades desse formato estão em correr no autódromo de Londrina em prova noturna.

Nada de novo no dia da prova

Toda estratégia de alimentação precisa ter sido testada em pelo menos dois treinos que reproduzam o horário, a intensidade e o clima da prova. Isso vale para o café da manhã, para a marca do gel, para a bebida do posto de hidratação e para a cafeína. Kit de prova costuma vir com amostras de produtos, e o dia da prova é o pior momento possível para experimentá-las.

Quanto carboidrato usar em cada distância?

As faixas mais usadas na literatura de nutrição esportiva são orientadas pela duração do esforço, não pela distância em si. Em esforços de até cerca de uma hora, o carboidrato durante a prova tem pouco efeito e muitas vezes basta água, com a possibilidade de bochecho de solução de carboidrato. Entre uma e duas horas e meia, a faixa estudada gira em torno de trinta a sessenta gramas por hora. Acima disso, chega-se a até noventa gramas por hora, e nesse patamar é necessário combinar fontes com transportadores intestinais diferentes, como glicose com frutose.

Traduzindo para o calendário local: cinco e dez quilômetros costumam pedir só água e um café da manhã bem feito. Vinte e um quilômetros já entra na faixa intermediária para a maioria dos amadores, que levam duas horas ou mais. Prova longa em ritmo de conclusão coloca a pessoa três horas ou mais na estrada, e aí a alimentação passa a ser determinante.

Tolerar sessenta a noventa gramas de carboidrato por hora não é automático: essa capacidade é treinável, e a literatura descreve o treinamento do intestino como parte da preparação, com exposição progressiva à ingestão durante o treino ao longo de semanas. Comece pela faixa baixa, aumente aos poucos e registre o que causou desconforto. O panorama geral de como isso se encaixa no acompanhamento está na página de nutrição esportiva.

Quais erros aparecem sempre na estreia?

O primeiro é fazer véspera de prova com muita fibra, muita gordura e comida diferente, geralmente num jantar em restaurante. O segundo é acordar sem fome e sair de casa sem comer, contando com o gel do quilômetro cinco. O terceiro é tomar cafeína em dose maior do que a habitual porque leu que ajuda no desempenho, sem nunca ter testado, e passar a prova inteira agitado e com desconforto.

O quarto é beber água muito acima da perda real em prova quente, o que pode diluir o sódio do sangue e produzir um quadro perigoso. O quinto é restringir alimentação nas semanas anteriores para chegar mais leve, o que costuma custar qualidade de treino e aumentar risco de lesão.

Quando a alimentação vira problema de saúde e não de desempenho?

Quando a energia consumida fica cronicamente abaixo do que o treino exige, o corpo reduz funções que não são prioritárias para a sobrevivência imediata. O consenso internacional sobre deficiência energética relativa no esporte descreve efeitos sobre saúde óssea, função menstrual, sistema imune, humor e desempenho. Os sinais que mais aparecem em corredores amadores são: alteração ou parada do ciclo menstrual, queda de desempenho apesar de treino mantido, fraturas por estresse, resfriados de repetição, distúrbio de sono e irritabilidade.

Nenhum desses sinais fecha diagnóstico, e nenhum deles se resolve com ajuste de gel. Eles pedem avaliação, e parte da investigação é médica, com exames que precisam ser interpretados no contexto clínico. Eu sou nutricionista e trabalho a alimentação e o comportamento alimentar; quem conclui doença e prescreve medicamento é o médico. Se você reconheceu dois ou mais desses itens na sua temporada, esse é o assunto a tratar antes da próxima inscrição.

Perguntas frequentes

Existe uma lista oficial das corridas de rua de Londrina?

Não há uma lista única e definitiva publicada com antecedência para o ano inteiro. O que existe é a soma de calendários: federação estadual de atletismo, organizadores, plataformas de inscrição e assessorias locais. Confirme sempre na página oficial da prova, porque data, horário e percurso mudam com frequência.

Preciso de gel numa prova de dez quilômetros?

Para a maioria das pessoas, não. Esforços de até cerca de uma hora são bem sustentados pelo glicogênio disponível, e o café da manhã resolve. Quem leva bem mais de uma hora para completar a distância pode se beneficiar de um pouco de carboidrato, e a hora de descobrir isso é no treino.

Como calcular quanto beber numa prova de verão?

O melhor método individual é a taxa de sudorese: pese-se sem roupa antes e depois de um treino de uma hora em condições semelhantes às da prova, anote o que bebeu e calcule a perda. Isso dá uma referência de quanto repor por hora. Fórmulas genéricas erram muito porque a variação entre pessoas é grande.

Vale a pena fazer carga de carboidrato para vinte e um quilômetros?

Protocolos de carga foram desenvolvidos para esforços mais longos, acima de cerca de noventa minutos, e para quem corre a meia maratona bem acima desse tempo pode fazer sentido aumentar o carboidrato nas quarenta e oito horas finais. O ajuste depende do seu ritmo previsto e da sua tolerância digestiva, e deve ser testado antes.

Treinar no calor da tarde ajuda mesmo?

Os consensos sobre exercício no calor descrevem adaptações fisiológicas com exposição repetida ao longo de uma a duas semanas, o que reduz a sobrecarga percebida em condições quentes. Para prova noturna de verão em Londrina, isso significa incluir treinos no fim da tarde na fase final da preparação, respeitando os dias de calor extremo.

Posso correr em jejum para emagrecer mais rápido?

Treino em jejum é uma estratégia específica, usada em algumas sessões de baixa intensidade dentro de um plano, e não uma regra para emagrecer. Aplicado em treino intenso ou longo, tende a piorar a qualidade da sessão e a recuperação. A decisão depende do seu objetivo, da fase da temporada e do seu histórico, e faz parte da conversa de consulta.

Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026

Referências

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