Marcos Hirata

Resultados e Depoimentos

Teresinha dos Santos: composição corporal em paratleta classe T46

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Nutrição clínica · Metabolismo · Performance

Sinais que merecem investigação

Você sente isso com frequência?

  • Barriga que estufa ao longo do dia
  • Gases em excesso
  • Dor ou desconforto abdominal
  • Diarreia ou intestino preso
  • Sensação de digestão lenta
  • Arrotos frequentes
  • Piora depois de alguns alimentos

Nem sempre é “só alimentação”. Esses sintomas podem aparecer em alterações como SIBO e IMO, identificadas com um teste simples, feito pelo ar expirado. A avaliação prévia define se o exame é indicado para o seu caso.

Quero saber se o teste é indicado para mim

Atendimento em Londrina. Conteúdo informativo, não substitui avaliação profissional.

Resposta rápida: Teresinha de Jesus Correia dos Santos é paratleta classe T46 e já competia quando chegou ao consultório, encaminhada pela treinadora. O problema não era treino, era composição corporal: percentual de gordura alto demais para quem vivia do esporte. O relato dela está na íntegra abaixo, e ao redor explico por que avaliação e conduta em paratleta têm particularidades que os cálculos e as tabelas convencionais não cobrem.

O depoimento dela, na íntegra

Eu cheguei ao Marcos em 2014, através da minha treinadora, que já sabia que ele era o nutricionista ideal para que juntos pudéssemos atingir meus objetivos. Quando cheguei ao consultório eu já era atleta, mas tinha um percentual de gordura muito alto para quem vivia pelo esporte. Diante disso, trabalhamos pesado na perda de gordura e os resultados foram surgindo rapidamente; com dois meses de acompanhamento eu tinha perdido uma porcentagem bem alta de gordura.

Através de uma alimentação equilibrada e treinos, hoje estou muito próxima de chegar onde preciso. Foi uma junção de fatores bem desenvolvida que deu muito certo e que, com certeza, reflete positivamente no meu desenvolvimento pessoal e profissional. O Marcos foi peça fundamental neste progresso.

Teresinha de Jesus Correia dos Santos, 35 anos na época do depoimento, paratleta classe T46

O que significa a classe T46

No atletismo paralímpico, a letra T indica provas de pista e de campo com corrida ou salto, e o número define o grupo de elegibilidade. A classe 46 reúne atletas com deficiência em membro superior, incluindo amputação, que competem correndo.

Isso importa nutricionalmente por um motivo direto: a mecânica da corrida muda. Sem o balanço completo dos braços, o custo energético da passada e o padrão de equilíbrio são diferentes, e o gasto não corresponde ao previsto para um corredor sem deficiência de mesmo peso e altura.

Por que avaliar paratleta é diferente

Praticamente todas as ferramentas que um nutricionista usa no dia a dia foram construídas a partir de populações sem deficiência. Isso cria três problemas de uma vez.

Equações de gasto energético usam peso, altura, idade e sexo, e assumem uma composição corporal padrão. Em quem tem amputação ou diferença importante de membro, essa premissa não vale, e a estimativa erra.

Fórmulas de percentual de gordura por dobras cutâneas foram validadas em pontos anatômicos específicos, e a leitura muda quando a distribuição de massa é diferente. O mesmo vale para bioimpedância, que estima a partir de modelos de condução elétrica do corpo inteiro.

Índices baseados em altura e peso, como o índice de massa corporal, perdem sentido em várias situações da população paralímpica. Por isso, no paratleta, a leitura precisa vir de acompanhamento em série com o mesmo método, mais do que de um valor absoluto isolado.

O princípio que orienta o caso

Quando as referências populacionais não se aplicam, o parâmetro passa a ser a própria pessoa. Medida repetida com o mesmo método, na mesma condição, e desempenho na prova valem mais que qualquer número comparado a uma tabela.

O gasto energético não segue a tabela

Em atleta paralímpico, o gasto pode ser maior ou menor que o previsto, dependendo do tipo de deficiência, da modalidade e da eficiência do movimento. Em algumas condições o custo de deslocamento é maior; em outras, a massa metabolicamente ativa é menor e o gasto cai.

Por isso a estimativa por fórmula é ainda menos confiável nesse grupo do que na população geral, e a medida direta ganha peso. É a mesma lógica que aplico em qualquer caso em que a equação não é confiável, descrita em teste de metabolismo.

Na prática, o ponto de partida vira o consumo atual real, ajustado a partir da resposta observada em treino, desempenho e composição corporal ao longo das semanas.

Composição corporal sem cortar demais

Quando o objetivo é reduzir gordura em quem compete, o risco não é falhar em emagrecer. É emagrecer errado. Déficit agressivo em atleta reduz massa magra, compromete recuperação e derruba o desempenho justamente na temporada.

Os três pilares que evitam isso são: déficit moderado em vez de agressivo, proteína suficiente e bem distribuída ao longo do dia, e manutenção do treino de força durante todo o processo. É isso que faz a perda pender para gordura e não para músculo.

Também importa quando fazer. Reduzir gordura fora do período competitivo e chegar na temporada com o trabalho pronto é diferente de tentar emagrecer às vésperas da prova. Como acompanhar essa mudança está em bioimpedância e o que ela mostra.

Pontos que merecem atenção extra

Alguns temas aparecem com frequência maior nessa população e entram na avaliação de rotina.

Saúde óssea, porque menor descarga de peso em algumas modalidades e histórico de restrição alimentar afetam a densidade mineral. Vitamina D e cálcio entram na conta, junto com energia total adequada.

Ferro, porque deficiência derruba desempenho antes de virar anemia e é frequente em atleta que come pouco.

Hidratação e termorregulação, que em algumas deficiências têm resposta alterada e exigem estratégia individual em treino e prova.

Saúde intestinal, porque constipação é queixa comum em parte dessa população e afeta conforto, treino e absorção. O ponto de partida está em protocolo para intestino.

Perguntas frequentes

Paratleta precisa de plano diferente?

Os princípios são os mesmos, o que muda é a avaliação. Estimativas de gasto e de composição corporal são menos confiáveis, então o acompanhamento se apoia mais em medida repetida e em resposta observada.

Bioimpedância funciona em quem tem amputação?

Ela mede, mas a estimativa parte de modelos construídos em população sem deficiência, o que reduz a precisão do valor absoluto. Serve melhor para acompanhar tendência com o mesmo aparelho do que para dizer um percentual exato.

Dá para reduzir gordura sem perder desempenho?

Dá, com déficit moderado, proteína adequada e treino de força mantido. O que compromete o desempenho é a pressa, não a redução em si.

Índice de massa corporal serve nesse caso?

Em boa parte das situações, não. Ele foi construído sobre uma relação entre peso e altura que não se sustenta quando a composição do corpo é diferente do padrão da população de referência.

Quais exames costumam entrar na avaliação?

Hemograma e ferritina, vitamina D, função tireoidiana quando há suspeita, perfil lipídico e glicemia. A lista é definida caso a caso e em conjunto com o médico que acompanha.

Suplementação é diferente para paratleta?

A lógica é a mesma: entra depois que alimentação, treino e sono estão organizados, e conforme exame. O que muda é a atenção maior a ferro, vitamina D e cálcio em parte dessa população.

Este é um de cinco casos reunidos em resultados e depoimentos, com atletas de seleção brasileira, paratleta, ultramaratonista e corredor master.

Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026

Referências

  1. Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Nutrition and Athletic Performance. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2016;48(3):543-568. DOI: 10.1249/MSS.0000000000000852
  2. Mountjoy M, Sundgot-Borgen J, Burke L, et al. IOC consensus statement on relative energy deficiency in sport (RED-S): 2018 update. British Journal of Sports Medicine. 2018;52(11):687-697. DOI: 10.1136/bjsports-2018-099193
  3. Melin AK, Heikura IA, Tenforde A, Mountjoy M. Energy Availability in Athletics: Health, Performance, and Physique. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2019;29(2):152-164. DOI: 10.1123/ijsnem.2018-0201
  4. Ward LC. Bioelectrical impedance analysis for body composition assessment: reflections on accuracy, clinical utility, and standardisation. European Journal of Clinical Nutrition. 2019;73(2):194-199. DOI: 10.1038/s41430-018-0335-3
  5. Frankenfield D, Roth-Yousey L, Compher C. Comparison of Predictive Equations for Resting Metabolic Rate in Healthy Nonobese and Obese Adults: A Systematic Review. Journal of the American Dietetic Association. 2005;105(5):775-789. DOI: 10.1016/j.jada.2005.02.005

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