
Resultados e Depoimentos
Valdir Flora Batista: de 25:17 para 23:13 nos 5 km, aos 61 anos
Sinais que merecem investigação
Você sente isso com frequência?
- Barriga que estufa ao longo do dia
- Gases em excesso
- Dor ou desconforto abdominal
- Diarreia ou intestino preso
- Sensação de digestão lenta
- Arrotos frequentes
- Piora depois de alguns alimentos
Nem sempre é “só alimentação”. Esses sintomas podem aparecer em alterações como SIBO e IMO, identificadas com um teste simples, feito pelo ar expirado. A avaliação prévia define se o exame é indicado para o seu caso.
Quero saber se o teste é indicado para mimAtendimento em Londrina. Conteúdo informativo, não substitui avaliação profissional.
Resposta rápida: Valdir Flora Batista tirou dois minutos e quatro segundos do tempo dele nos 5 km, saindo de 25:17 para 23:13, aos 61 anos, numa fase em que os treinadores esperavam o contrário. Não existe truque nisso. Existe massa magra preservada, energia suficiente para treinar e mudança gradual de hábito, que é o oposto do que a maioria tenta fazer. O depoimento dele está na íntegra abaixo, e ao redor explico por que desempenho na corrida depois dos 60 depende mais de comer o bastante do que de comer pouco.
Neste artigo
O depoimento dele, na íntegra
Massa magra e velocidade, ganhei desde que comecei a ser acompanhado pelo Marcos H. Hirata há quase três anos, senti muita diferença no meu desempenho nos treinos e na performance nas provas. Eu fazia 25:17, em 5 km, e já cheguei aos 23:13, aos 61 anos, uma época na qual, segundo os treinadores, a idade faria com que eu tivesse um decréscimo de velocidade.
Meses depois do início do acompanhamento, veio a primeira grande vitória. O segundo lugar em uma prova em Apucarana, no Paraná, um troféu que até então eu não imaginava que iria conquistar. Hirata é didático e ensina a gente como comer bem. Ao trabalharmos juntos, nossos objetivos passam a ser os objetivos dele. Ele prepara um plano alimentar individualizado que ajuda a gente a alcançar nossa meta, levando em conta nosso estilo de vida, nossa personalidade, nossos gostos e as necessidades do nosso organismo. Ele não mudou radicalmente minha alimentação. Houve a mudança, mas foi gradual e pautada em uma estratégia.
Incorporei os novos hábitos à minha vida naturalmente, o paladar mudou e agora eu não preciso me esforçar para não comer algumas coisas que eu sei que não são boas para a saúde. Com minha determinação e a dedicação dele, que sempre quis saber como eu estava me saindo nas provas e nos treinos e ia ajustando minha dieta conforme as necessidades que surgiam, vieram os pódios.
Valdir Flora Batista, 61 anos na época do depoimento
O que realmente cai com a idade no corredor
A expectativa de queda de velocidade depois dos 60 não é invenção dos treinadores. Mas o que cai não é exatamente o que as pessoas imaginam.
O principal é a perda progressiva de massa e de função muscular que acompanha o envelhecimento, com preferência pelas fibras de contração rápida, que são justamente as que geram velocidade. Somam-se a redução do consumo máximo de oxigênio e a perda de elasticidade do tendão, que encarece cada passada.
A parte que quase ninguém diz é que boa parte dessa curva responde a estímulo e a nutrição. Perda de músculo é acelerada por ingestão proteica insuficiente e por ausência de treino de força, e as duas coisas são frequentes em corredor amador mais velho, que treina só corrida e come como comia aos 40.
Proteína depois dos 60: a conta muda
Existe um fenômeno chamado resistência anabólica: com o envelhecimento, a mesma quantidade de proteína gera menos síntese muscular do que geraria em alguém jovem. Traduzindo, o idoso precisa de mais proteína por refeição para obter a mesma resposta.
Grupos de estudo em nutrição do envelhecimento recomendam ingestão proteica acima da recomendação geral para adultos em pessoas com mais idade, com atenção especial para quem tem doença aguda ou crônica. E para quem treina, a necessidade sobe de novo.
| Aspecto | Adulto jovem sedentário | Corredor acima dos 60 |
|---|---|---|
| Proteína total do dia | Recomendação básica costuma bastar | Necessidade maior, por resistência anabólica e treino |
| Distribuição | Menos crítica | Crítica. Concentrar tudo no jantar desperdiça o estímulo |
| Treino de força | Recomendável | Não negociável. Sem ele a proteína rende pouco |
| Vitamina D | Checar | Checar sempre, pela relação com função muscular e osso |
| Carboidrato | Conforme atividade | Mantido nos dias de treino intenso, senão o desempenho cai |
O erro clássico do corredor master
Treinar mais e comer menos, achando que emagrecer sozinho traria velocidade. O que costuma acontecer é perda de massa magra junto com a gordura, e a velocidade cai justamente porque o motor encolheu.
Comer pouco é o que trava o corredor master
Disponibilidade energética baixa, que é sobrar pouca energia depois de descontado o gasto do treino, prejudica saúde óssea, função hormonal, imunidade e desempenho. Isso é descrito na literatura esportiva para atletas de qualquer idade, e em quem já tem perda muscular relacionada ao envelhecimento o custo é maior.
Na prática, o corredor que come pouco acumula três problemas ao mesmo tempo: não repõe glicogênio entre os treinos, não tem substrato para reconstruir músculo e passa a sentir mais fadiga, o que reduz a qualidade das sessões. O relógio piora, e a conclusão automática é que a idade chegou.
É por isso que, nesse perfil, a conduta quase sempre começa por organizar e aumentar, não por cortar. O ganho de massa magra que ele relata veio junto com o ganho de velocidade, e não por acaso.
Por que a mudança gradual é a que fica
A parte mais subestimada do depoimento é técnica: ele não mudou radicalmente a alimentação, a mudança foi gradual e pautada em estratégia, e os hábitos ficaram naturalmente.
Plano radical produz adesão alta por duas ou três semanas e abandono depois. Em atleta amador com trabalho, família e rotina, o plano precisa caber na vida que já existe. Trocas pequenas e sucessivas sobrevivem; reforma total não sobrevive.
A outra coisa que ele cita e que faz diferença é o ajuste contínuo conforme provas e treinos. Plano alimentar de corredor não é documento fixo, é algo que muda com o calendário de provas e com a fase de treino.
O que acompanhar em quem treina depois dos 60
Além do desempenho, alguns marcadores merecem checagem periódica nesse perfil: hemograma e ferritina, porque deficiência de ferro derruba desempenho antes de virar anemia; vitamina D, pela relação com função muscular e osso; vitamina B12, cuja absorção cai com a idade; perfil lipídico e glicemia; e função renal, sobretudo se houver aumento de proteína na dieta.
Composição corporal também entra, e importa mais que o peso. Quem perde 3 kg pode ter perdido gordura ou músculo, e no corredor master essa diferença é a diferença entre melhorar e piorar. Os métodos estão comparados em bioimpedância e o que ela mostra.
E se você quer saber quanto realmente gasta antes de decidir quanto comer, a medida direta está em teste de metabolismo. Para o planejamento de treino e prova, o ponto de partida é nutrição esportiva.
Perguntas frequentes
Dá para melhorar tempo de prova depois dos 60?
Dá, principalmente em quem tinha margem de melhora em treino, força e alimentação. A curva do envelhecimento existe, mas quase nunca é o fator limitante em corredor amador que nunca organizou esses três pontos.
Preciso fazer musculação para correr melhor?
Depois dos 60, sim. Treino de força é o que preserva as fibras rápidas e a economia de corrida, e é o que faz a proteína da dieta render.
Quanta proteína devo comer?
A necessidade é maior que a recomendação geral para adultos, por causa da resistência anabólica e do treino. O valor exato depende de peso, função renal e volume de treino, e precisa ser individualizado.
Correr em jejum ajuda a emagrecer?
Nesse perfil costuma atrapalhar mais do que ajudar, porque compromete a qualidade do treino e favorece a perda de massa magra. Existem situações específicas em que faz sentido, mas não como regra.
Emagrecer melhora meu tempo?
Depende do que se perde. Perder gordura pode ajudar. Perder músculo piora, e é o que acontece quando o déficit é agressivo e não há proteína nem treino de força suficientes.
Preciso de suplemento?
Alguns fazem sentido conforme exame e rotina, mas entram depois de alimentação, treino e sono organizados. Suplemento não compensa dieta insuficiente.
Este é um de cinco casos reunidos em resultados e depoimentos, com atletas de seleção brasileira, paratleta, ultramaratonista e corredor master.
Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026
Referências
- Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Nutrition and Athletic Performance. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2016;48(3):543-568. DOI: 10.1249/MSS.0000000000000852
- Mountjoy M, Sundgot-Borgen J, Burke L, et al. IOC consensus statement on relative energy deficiency in sport (RED-S): 2018 update. British Journal of Sports Medicine. 2018;52(11):687-697. DOI: 10.1136/bjsports-2018-099193
- Melin AK, Heikura IA, Tenforde A, Mountjoy M. Energy Availability in Athletics: Health, Performance, and Physique. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2019;29(2):152-164. DOI: 10.1123/ijsnem.2018-0201
- Loucks AB, Kiens B, Wright HH. Energy availability in athletes. Journal of Sports Sciences. 2011;29(sup1):S7-S15. DOI: 10.1080/02640414.2011.588958