
Resultados e Depoimentos
Rodrigo Bussadori: 100 km nos Andes e o diagnóstico de comer pouco demais
Sinais que merecem investigação
Você sente isso com frequência?
- Barriga que estufa ao longo do dia
- Gases em excesso
- Dor ou desconforto abdominal
- Diarreia ou intestino preso
- Sensação de digestão lenta
- Arrotos frequentes
- Piora depois de alguns alimentos
Nem sempre é “só alimentação”. Esses sintomas podem aparecer em alterações como SIBO e IMO, identificadas com um teste simples, feito pelo ar expirado. A avaliação prévia define se o exame é indicado para o seu caso.
Quero saber se o teste é indicado para mimAtendimento em Londrina. Conteúdo informativo, não substitui avaliação profissional.
Resposta rápida: Rodrigo Bussadori chegou ao consultório treinando para o El Cruce, ultramaratona que atravessa a cordilheira dos Andes entre Argentina e Chile em 100 km divididos por três dias. Esperava ouvir que precisava comer menos. Ouviu o contrário: comia muito menos do que precisava. Esse é um dos achados mais frequentes em quem treina volume alto e não é o que a maioria imagina. O depoimento dele está na íntegra abaixo, e ao redor explico como se organiza a alimentação de uma prova de vários dias e por que comer pouco derruba o treino antes de derrubar o peso.
Neste artigo
O depoimento dele, na íntegra
Procurei o Marcos no começo do ano passado, quando decidi começar a treinar para uma ultramaratona chamada El Cruce, que cruza a cordilheira dos Andes entre a Argentina e o Chile em um percurso de 100 km em 3 dias. Sabia que a prova exigiria muito do meu corpo e que ele seria extremamente importante para a conclusão do percurso e, por isso, busquei ajuda especializada.
É até engraçado, mas me lembro que na minha primeira consulta o diagnóstico dele foi de que eu comia muito menos do que precisava. Devo ter sido o primeiro paciente a ouvir isso.
Sempre comi muito pouco, não por opção, mas porque realmente não sentia necessidade. Depois que passei a seguir o plano alimentar do Marcos, percebi o quanto meus treinos ficaram mais eficientes. Tenho treinado 6 vezes por semana, sendo 2 vezes por dia em alguns dias, e não tenho tido nenhuma fadiga. Sinto que meu corpo está sempre pronto para o próximo treino e tenho certeza que isso é resultado da alimentação e suplementação corretas.
Rodrigo Freitas Bussadori, 34 anos na época do depoimento, gerente comercial
Por que tanta gente que treina muito come pouco
A frase dele, comia pouco não por opção, mas porque não sentia necessidade, descreve um mecanismo real. Exercício intenso e prolongado altera a sinalização de fome, e em algumas pessoas o apetite não acompanha o aumento do gasto. Somam-se rotina corrida, refeição pulada por causa do trabalho e a crença de que atleta amador deve estar sempre em déficit.
O resultado tem nome na literatura esportiva: baixa disponibilidade energética, que é o que sobra de energia depois de descontado o gasto do treino. Quando ela fica baixa de forma crônica, o consenso do Comitê Olímpico Internacional descreve prejuízo em saúde óssea, função imune, sinalização hormonal, humor e desempenho.
Em quem treina seis vezes por semana e às vezes duas vezes por dia, esse é o cenário mais provável, e não o excesso. Por isso o primeiro ajuste dele foi para cima, não para baixo.
O sinal mais confiável de que a conta não fecha
Fadiga que não passa com o dia de descanso, sono ruim apesar do cansaço, resfriado frequente e desempenho estagnado apesar do volume de treino. Quando esses quatro aparecem juntos, o problema quase nunca é falta de treino.
O que muda numa prova de vários dias
Prova de etapa tem uma exigência que a maratona única não tem: você precisa terminar o dia em condição de largar de novo no dia seguinte. Isso desloca o foco da performance de um dia para a capacidade de repetir.
| Momento | Objetivo | Prioridade |
|---|---|---|
| Semanas anteriores | Chegar sem déficit acumulado | Energia total adequada e ferro em dia |
| Véspera de cada etapa | Encher o estoque de glicogênio | Carboidrato alto, gordura e fibra moderadas |
| Durante a etapa | Sustentar o ritmo sem quebrar | Carboidrato por hora, líquido e sódio conforme suor e clima |
| Primeiras horas após chegar | Repor para o dia seguinte | Carboidrato e proteína juntos, sem esperar a fome voltar |
| Noite | Recuperar e dormir | Refeição completa e hidratação, evitando o que atrapalha o sono |
A janela mais negligenciada é a quarta linha. Depois de horas de esforço, o apetite costuma sumir, e é exatamente quando a reposição rende mais. Quem espera a fome voltar chega no dia seguinte com o tanque pela metade.
Quanto carboidrato usar durante a prova
Em esforços longos, a ingestão de carboidrato durante a atividade sustenta o ritmo e adia a fadiga. As recomendações de posicionamento em nutrição esportiva trabalham com faixas por hora que aumentam conforme a duração do esforço, e em provas muito longas envolvem combinar tipos diferentes de carboidrato para aproveitar mais de uma via de absorção intestinal.
Isso não se define no dia da prova. Define-se em treino, testando gel, líquido e alimento sólido no ritmo e no clima parecidos com os da competição. Altitude e frio, como nos Andes, mudam sede, ritmo e esvaziamento gástrico, e precisam entrar no ensaio.
Hidratação segue a mesma lógica: nem beber pouco, nem beber demais. O excesso de água sem sódio em prova longa traz risco próprio, e a estratégia individual sai de teste, não de tabela.
O intestino também precisa ser treinado
Desistência em ultramaratona tem causa gastrointestinal com frequência maior do que se imagina. Enjoo, cólica e diarreia aparecem quando o atleta tenta ingerir na prova uma quantidade de carboidrato que nunca praticou.
A adaptação existe e é treinável: ingerir carboidrato de forma repetida durante os treinos longos melhora a tolerância e a absorção ao longo das semanas. É por isso que o plano nutricional de uma prova de três dias começa meses antes, e não na véspera.
Quem tem histórico de sintoma intestinal precisa de atenção redobrada nesse ponto, e às vezes de investigação antes, porque o esforço só expõe o que já existia. Se esse é o seu caso, o ponto de partida está em protocolo para intestino.
Por que a recuperação virou o ponto de virada dele
O que ele descreve, corpo sempre pronto para o próximo treino, é a tradução prática de reposição adequada. Em quem treina duas vezes por dia, o intervalo entre sessões é curto demais para improvisar.
Repor carboidrato logo após a sessão, distribuir proteína ao longo do dia em vez de concentrar no jantar, e garantir energia total suficiente é o que permite manter volume alto sem quebrar. Sem isso, o atleta treina muito e adapta pouco, o que é o pior dos dois mundos.
E vale a mesma observação que faço em todo caso desse tipo: sem saber o gasto real, o plano é estimativa. A medida direta está em teste de metabolismo, e o planejamento por modalidade em nutrição esportiva.
Perguntas frequentes
Como sei se estou comendo pouco demais para o meu treino?
Os sinais mais comuns são fadiga que não passa com descanso, sono ruim, infecções frequentes, desempenho estagnado e, em mulheres, alteração do ciclo menstrual. A confirmação vem de avaliação, não de sensação.
Preciso comer durante a corrida mesmo em treino?
Em treinos longos, sim, e por dois motivos: sustentar a sessão e treinar o intestino para tolerar na prova o que você vai precisar ingerir.
Gel, líquido ou comida de verdade?
Os três funcionam e a escolha é individual. O que não funciona é decidir no dia da prova. Tudo que você vai usar precisa ter sido testado em treino, no mesmo ritmo e clima.
Perder peso melhora meu tempo em ultramaratona?
Nem sempre. Em prova longa, capacidade de repetir esforço e saúde intestinal pesam mais que o número na balança, e déficit agressivo compromete as duas coisas.
Suplementação é necessária nesse tipo de prova?
Alguns itens são práticos em prova longa, principalmente para carboidrato e eletrólitos, pela facilidade de carregar e consumir em movimento. Isso é diferente de suplemento para compensar dieta insuficiente.
Quanto tempo antes começar a preparação nutricional?
Para prova de vários dias, meses. Corrigir déficit acumulado, ajustar exames, adaptar o intestino e testar a estratégia de prova não cabem em poucas semanas.
Este é um de cinco casos reunidos em resultados e depoimentos, com atletas de seleção brasileira, paratleta, ultramaratonista e corredor master.
Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026
Referências
- Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Nutrition and Athletic Performance. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2016;48(3):543-568. DOI: 10.1249/MSS.0000000000000852
- Mountjoy M, Sundgot-Borgen J, Burke L, et al. IOC consensus statement on relative energy deficiency in sport (RED-S): 2018 update. British Journal of Sports Medicine. 2018;52(11):687-697. DOI: 10.1136/bjsports-2018-099193
- Melin AK, Heikura IA, Tenforde A, Mountjoy M. Energy Availability in Athletics: Health, Performance, and Physique. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2019;29(2):152-164. DOI: 10.1123/ijsnem.2018-0201
- Loucks AB, Kiens B, Wright HH. Energy availability in athletes. Journal of Sports Sciences. 2011;29(sup1):S7-S15. DOI: 10.1080/02640414.2011.588958