
Resultados e Depoimentos
Vinícius Figueira: bater o peso da categoria sem perder rendimento no karatê
Sinais que merecem investigação
Você sente isso com frequência?
- Barriga que estufa ao longo do dia
- Gases em excesso
- Dor ou desconforto abdominal
- Diarreia ou intestino preso
- Sensação de digestão lenta
- Arrotos frequentes
- Piora depois de alguns alimentos
Nem sempre é “só alimentação”. Esses sintomas podem aparecer em alterações como SIBO e IMO, identificadas com um teste simples, feito pelo ar expirado. A avaliação prévia define se o exame é indicado para o seu caso.
Quero saber se o teste é indicado para mimAtendimento em Londrina. Conteúdo informativo, não substitui avaliação profissional.
Resposta rápida: Vinícius Figueira compete no kumite até 67 kg pela Seleção Brasileira de Karatê. Quando me procurou, por indicação do técnico, o problema não era treinar, era chegar no peso da categoria sem chegar quebrado. Esporte de categoria de peso cria uma armadilha: o corte que garante a pesagem é o mesmo que rouba força, recuperação e concentração na hora da luta. O relato dele está na íntegra abaixo, e ao redor explico como se organiza a alimentação de quem precisa bater peso sem perder rendimento.
Neste artigo
Quem é Vinícius Figueira
Vinícius nasceu em 1991 e compete no kumite até 67 kg. A folha corrida dele inclui bronze no Campeonato Mundial de Bremen em 2014, prata no Mundial de Madrid em 2018, bronze nos Jogos Panamericanos de Lima em 2019 e ouro nos Jogos Mundiais de Birmingham em 2022. Ele também esteve entre os primeiros do ranking mundial da World Karate Federation na categoria.
O acompanhamento com ele foi na temporada de 2016, quando venceu a etapa de Salzburg, na Áustria, da Karate 1 Premier League. As conquistas de Madrid, Lima e Birmingham vieram nos anos seguintes, com outros ciclos de preparação, e estão aqui como contexto da trajetória dele, não como resultado do acompanhamento.
Ele chegou por indicação do técnico, o sensei Marcelo Oguido.
O depoimento dele, na íntegra
Sou atleta de alto rendimento e meu objetivo era comer bem para treinar forte, mas mantendo o peso ideal e conseguindo baixá-lo antes das competições para me adequar à categoria de até 67 kg.
Com a ajuda do Marcos, consegui não só eliminar a dificuldade que eu tinha em manter e bater o peso, mas também melhorei meu desempenho nos treinos e pude acelerar minha recuperação para treinar de novo. A dieta balanceada com certeza contribuiu para minha vitória na Premiere League de Salzburg, na Áustria, por me auxiliar na fase de preparação.
O Marcos é muito atencioso e desde o início do acompanhamento, quando o procurei por indicação do meu técnico, sempre esteve à disposição para o que eu precisasse. Além disso, ele procurou montar um plano alimentar que se adequasse ao meu dia a dia.
Vinícius Rezende Figueira, atleta da Seleção Brasileira de Karatê
O que eu registrei na época: apesar de já se destacar, ele tinha uma alimentação incoerente com o alto rendimento que buscava. Era preciso fazer uma correção alimentar que, diferente do que muitos pensam, não poderia se basear em batata e frango.
A armadilha do corte de peso em esporte de categoria
Karatê, judô, luta olímpica, boxe e artes marciais mistas têm o mesmo problema estrutural: o atleta precisa registrar um número na balança em uma data marcada, e depois competir com o corpo que sobrou.
O caminho mais comum é o mais caro. Restrição agressiva nas semanas finais, corte de água e sauna nos dias anteriores. Isso entrega o número, mas cobra em massa magra, em estoque de glicogênio, em tempo de reação e em capacidade de repetir esforço. O atleta pesa certo e luta pior.
O consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre deficiência energética relativa no esporte descreve o que acontece quando a energia disponível fica cronicamente baixa: prejuízo em densidade óssea, função imune, saúde hormonal, humor e desempenho. Em esporte de categoria de peso, esse cenário não é acidente, é rotina quando o peso não é planejado.
A pergunta que muda o planejamento
Não é “como perder 4 kg em duas semanas”. É “qual é o peso que eu consigo manter no dia a dia sem prejudicar treino”. Quando a distância entre o peso de rotina e o da categoria é grande demais, o problema não é o corte, é a categoria.
Como se organiza o peso ao longo da temporada
A lógica é inverter a ordem. Em vez de tratar peso como emergência das últimas semanas, ele vira parâmetro de rotina, e o ajuste final fica pequeno o bastante para não machucar.
| Fase | Objetivo | O que se faz |
|---|---|---|
| Fora de competição | Ficar perto do peso da categoria | Energia adequada, proteína distribuída, foco em composição corporal e não em número |
| Preparação | Reduzir a distância que sobrou | Déficit moderado, proteína alta para preservar massa magra, carboidrato mantido nos dias de treino pesado |
| Semana da competição | Ajuste fino | Manipulação de resíduo alimentar e sódio, sem corte agressivo de água |
| Entre pesagem e luta | Recompor | Reidratação com eletrólitos e carboidrato de rápida disponibilidade |
| Pós-competição | Voltar ao normal | Retorno gradual, sem compensação |
O ponto crítico é a preservação de massa magra durante o déficit. Estudos com atletas em restrição mostram que proteína mais alta e manutenção do treino de força reduzem a perda de massa magra em comparação com déficit sem esse cuidado. Perder peso perdendo músculo em esporte de combate é perder a arma.
Por que a recuperação entra na conta do peso
A frase dele que mais importa tecnicamente é a segunda: melhorei o desempenho nos treinos e acelerei a recuperação para treinar de novo. Em modalidade que treina duas vezes por dia, recuperação não é conforto, é volume de treino possível.
Quem come abaixo da necessidade repõe glicogênio devagar, chega no segundo treino do dia sem combustível e acumula fadiga. O resultado aparece semanas depois como estagnação técnica, e quase sempre é interpretado como falta de empenho.
Reposição de carboidrato após a sessão, proteína distribuída ao longo do dia em vez de concentrada numa refeição, e energia total suficiente resolvem a maior parte disso. É o mesmo raciocínio que aplico em outras modalidades, detalhado em nutrição esportiva.
Os erros que mais custam medalha
O primeiro é o que eu apontei na época dele: reduzir alimentação de atleta a batata e frango. Cardápio monótono não sustenta treino pesado, não entrega micronutriente e é abandonado na primeira semana difícil.
O segundo é cortar carboidrato achando que ajuda a bater o peso. Ele é o combustível do esforço intermitente de alta intensidade, que é exatamente o padrão de uma luta. Cortar reduz o peso pela água ligada ao glicogênio e derruba o desempenho junto.
O terceiro é usar desidratação como estratégia. Sauna e restrição de líquido entregam o número e comprometem volume plasmático, termorregulação e função cognitiva, com risco real de saúde. Quando o corte necessário é grande, a conversa correta é sobre categoria, não sobre técnica de corte.
O quarto é não medir. Sem saber o gasto real, o déficit é chute, e chute em atleta de alto rendimento custa caro. Como essa medida é feita está em teste de metabolismo.
Perguntas frequentes
Dá para bater o peso sem passar fome?
Dá, quando a diferença entre o peso de rotina e o da categoria é pequena. O sofrimento aparece quando o atleta passa a temporada longe do peso e tenta resolver tudo nas últimas semanas.
Corte de água na véspera funciona?
Funciona para o número da balança e prejudica o desempenho e a saúde. Volume plasmático, termorregulação e função cognitiva caem. Quando o atleta depende disso, a categoria está errada para ele.
Quanto de proteína um atleta de combate precisa?
A necessidade sobe durante o déficit, justamente para preservar massa magra. O valor exato depende de peso, fase e volume de treino, e é definido individualmente, não por regra fixa.
O que comer entre a pesagem e a luta?
O objetivo é recompor líquido e glicogênio sem pesar o estômago. Isso significa carboidrato de rápida disponibilidade, líquido com eletrólitos e pouca gordura e fibra. A composição e o tempo dependem do intervalo entre pesagem e primeiro combate.
Suplemento é necessário?
Alguns têm evidência em esporte de alta intensidade, mas entram depois que alimentação, sono e treino estão organizados. Suplemento não corrige plano alimentar insuficiente.
Isso vale para judô e artes marciais mistas?
A lógica é a mesma, com ajustes. O que muda é o intervalo entre pesagem e luta, que em algumas modalidades é de horas e em outras de um dia inteiro, e isso altera a estratégia de recomposição.
Este é um de cinco casos reunidos em resultados e depoimentos, com atletas de seleção brasileira, paratleta, ultramaratonista e corredor master.
Marcos Hirata
Nutricionista, CRN 8201
Revisado em agosto de 2026
Referências
- Mountjoy M, Sundgot-Borgen J, Burke L, et al. IOC consensus statement on relative energy deficiency in sport (RED-S): 2018 update. British Journal of Sports Medicine. 2018;52(11):687-697. DOI: 10.1136/bjsports-2018-099193
- Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Nutrition and Athletic Performance. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2016;48(3):543-568. DOI: 10.1249/MSS.0000000000000852
- Melin AK, Heikura IA, Tenforde A, Mountjoy M. Energy Availability in Athletics: Health, Performance, and Physique. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2019;29(2):152-164. DOI: 10.1123/ijsnem.2018-0201
- Loucks AB, Kiens B, Wright HH. Energy availability in athletes. Journal of Sports Sciences. 2011;29(sup1):S7-S15. DOI: 10.1080/02640414.2011.588958